O ROMÂNTICO PRIMEIRO AMOR
Teu olhar de promessas e teu riso leve,
Soprando em mim sem muita pressa;
Parecendo fogo a tua boca ardente,
E teus beijos quentes de muitos verões.
Teu corpo macio, tua pele de pantera,
A me aquecer no frio igual tapete persa;
Eu me perdia em ti, no gozo e na ventura,
De paz e de loucura, minha Bagdá.
Eu nunca te esqueci, jamais te esquecerei,
Sofrer sem teu amor, eu sei que irei sofre;
Ainda ouço a musica de nossa despedida,
E choro sem teus ombros, pois nunca te esqueci.
Queria estar contigo, mas tudo foi embora,
Meus risos do futuro e os suspiros do passado,
Na nossa despedida não existiu adeus,
E sim um fim de tarde, sem beijos e afagos.
Éramos dois adultos em corpos de criança,
Driblando a esperança em nossa inexperiência;
Eu sei, foi tudo em vão, barquinhos de papel,
Nas ondas do passado da minha escuridão.
Eu sinto ainda o gosto, teu corpo de pantera,
Serena e perfumosa, igual a flor do campo;
Eu sinto aquele amor, o meu primeiro amor,
Sereno e imortal, num canto aqui do peito.
Por isso que te lembro, amor de minha vida,
E chora na alegria de sempre te amar;
Talvez em outra vida te tenha a meu lado,
E juro que jamais vou te deixar partir.
*J.L.BORGES...1991
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