O ENCANTO DA SEREIA
Aquela sereia me encantou,
Sua voz melodia me seduziu;
Tão longe agora dela estou,
Sentindo a saudade que não partiu.
Fico pedindo aquele corpo,
A turbulência na tempestade;
Raios elétricos do desconforto,
Iluminando esta saudade.
Sem calmaria fico perdido,
Pedindo a luz daquele sol;
Doce olhar, doce castigo,
Na noite negra o meu farol.
A noite sem lua me faz lembrar,
Daquela sereia que em mim chegou;
Feito um espinho a dilacerar,
Meu coração que nunca amou.
Agora eu amo, sou dependente,
Daquele corpo, ópio de luz;
Aquele corpo tão envolvente,
Que me castiga, que me seduz.
Eu quero tanto fugir pra ela,
Pois gosto dela, sou prisioneiro;
Da sua voz, o riso dela,
Agora eu quero ser marinheiro.
*J.L.BORGES...1991
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