quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

MULHER DE PAPEL

MULHER DE PAPEL

Você me embriaga,

Com este riso encharcado de mel;

Mulher de papel,

Você me estraga.

Me sinto cansado,

O tédio apavora;

Você me devora,

Me faz tudo errado.

Eu tenho receio,

Quando estou a teu lado;

Seu riso é um meio,

De deixar-me drogado.

Mulher de papel,

Este amor não tem causa;

Não tem conseqüência,

É apenas cruel.

O céu do seu riso,

Hoje é meu inferno;

O seu paraíso,

Só traz o inverno.

E a chama do amor,

Se apaga com o tempo;

Só meu pensamento,

Transcende esta dor.

A dor no papel,

Que queima meu peito;

Seu amor não tem causa,

Mulher de papel.

*J.L.BORGES
1990

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