MULHER DE PAPEL
Você me embriaga,
Com este riso encharcado de mel;
Mulher de papel,
Você me estraga.
Me sinto cansado,
O tédio apavora;
Você me devora,
Me faz tudo errado.
Eu tenho receio,
Quando estou a teu lado;
Seu riso é um meio,
De deixar-me drogado.
Mulher de papel,
Este amor não tem causa;
Não tem conseqüência,
É apenas cruel.
O céu do seu riso,
Hoje é meu inferno;
O seu paraíso,
Só traz o inverno.
E a chama do amor,
Se apaga com o tempo;
Só meu pensamento,
Transcende esta dor.
A dor no papel,
Que queima meu peito;
Seu amor não tem causa,
Mulher de papel.
*J.L.BORGES
1990
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