GRAVATÁIS
É tanto caminho para percorrer,
Caminhos escassos de despedidas;
São tantas estradas não percorridas,
Meus laços e braços a te envolver.
Meus ais se confundem com tantos ais,
É isso, é aquilo, vãos sonhos e mais nada;
Espinhos que ferem as madrugadas,
Desta cidade, meus gravatás.
Na inocência eloqüente de tantos medos,
Meus tédios são meros gravatáis;
Vontade de agora fugir daqui,
Levando a esperança e meus segredos
Por que ir embora? Pergunto eu,
Por que me trancar dentro de mim?
Não tenho resposta, nem digo sim,
Porem levo embora tudo que é meu.
Um mundão de ais e meus cri-cris,
Nas fagulhas de um sonho sem ter historia;
Levo também medalhas de uma luta inglória,
Esquecida e gasta em seus gravatáis.
*J.L.BORGES
1993
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