CAVALO DE AÇO
Na relva da morte e da vida,
Um raio metálico segue veloz;
Rasgando o anjo na noite fria,
Na eternidade da longa voz
Na estrada fria temo os momentos,
Dos meus tormentos e liberdades;
Sem ter idade e sem ter maldade,
Sou fios de vida soprada ao vento.
Rasguei a alma e quebrei a vida,
Ficando assim feito um paralítico;
Desta saudade gasta e apocalíptica,
Frágil verdade hoje esquecida.
Hoje estou largado neste mundo,
Mundo algoz e sem futuro;
Sou enteado, verme vagabundo,
Tateando luzes no denso escuro.
Quem sabe um dia nesta vida vença,
E até consiga dormir melhor meu sono;
Na despedida desta minha descrença,
Consiga dar adeus a este abandono.
*J.L.BORGES
1993
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