quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

CAVALO DE AÇO

CAVALO DE AÇO

Na relva da morte e da vida,

Um raio metálico segue veloz;

Rasgando o anjo na noite fria,

Na eternidade da longa voz

Na estrada fria temo os momentos,

Dos meus tormentos e liberdades;

Sem ter idade e sem ter maldade,

Sou fios de vida soprada ao vento.

Rasguei a alma e quebrei a vida,

Ficando assim feito um paralítico;

Desta saudade gasta e apocalíptica,

Frágil verdade hoje esquecida.

Hoje estou largado neste mundo,

Mundo algoz e sem futuro;

Sou enteado, verme vagabundo,

Tateando luzes no denso escuro.

Quem sabe um dia nesta vida vença,

E até consiga dormir melhor meu sono;

Na despedida desta minha descrença,

Consiga dar adeus a este abandono.

*J.L.BORGES
1993

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