CANÇÃO DA CHUVA DE SETEMBRO
A chuva de setembro,
Batendo a janela;
Molhando a moça bela,
Seus joelhos e cabelos.
Eu fico aqui sonhando,
Pensando em beijar ela;
Brincando com a chuva,
A chuva na janela.
Lá fora as borboletas,
Dançando com a chuva;
Orquestras de sacis,
Tocando suas cornetas.
Serão gnomos ou fadas,
Que brilham nesta chuva;
Ou apenas pontos vagos,
Desta imaginação?
Talvez seja miragem,
Ou espíritos que lá fora;
Ensaiam a qualquer hora,
A dança da ilusão.
E segue na canção
Da chuva de setembro;
Pintando nos telhados,
E em nosso coração.
Talvez seja duendes,
Lavando nestas águas;
As dores e as magoas,
De nossos corações.
*J.L.BORGES
1992
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