PRIMAVERA INCOLOR
No universo infinito do teu ser,
Me perdi ao sentir teus beijos de neve
Que amar não conseguem,
Mas conseguem me fazer viver.
Teus beijos chegaram com a primavera,
E queimaram meu corpo que te quer;
Ser que anseia em te fazer mulher,
Em te presentear com sonhos e quimeras.
Nesta ventura possui teu corpo lindo,
Com toda a vontade e pecado;
E por ti muitas vezes fui amado,
E neste amor me encontrei sorrindo.
Depois acordei deste sonho e pensei,
No universo que separa este amor;
Que veio para estancar esta dor,
Dor que um dia em meu peito botei.
Depois acordei do sonho,
Com teus lábios ardentes em flor;
Nesta primavera incolor,
Ardentes lábios que tanto beijei.
*J.L.BORGES
Camaquã.1985
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