terça-feira, 7 de novembro de 2017

PRIMAVERA INCOLOR


PRIMAVERA INCOLOR

No universo infinito do teu ser,
Me perdi ao sentir teus beijos de neve
Que amar não conseguem,
Mas conseguem me fazer viver.

Teus beijos chegaram com a primavera,
E queimaram meu corpo que te quer;
Ser que anseia em te fazer mulher,
Em te presentear com sonhos e quimeras.

Nesta ventura possui teu corpo lindo,
Com toda a vontade e pecado;
E por ti muitas vezes fui amado,
E neste amor me encontrei sorrindo.

Depois acordei deste sonho e pensei,
No universo que separa este amor;
Que veio para estancar esta dor,
Dor que um dia em meu peito botei.

Depois acordei do sonho,
Com teus lábios ardentes em flor;
Nesta primavera incolor,
Ardentes lábios que tanto beijei.

*J.L.BORGES
Camaquã.1985

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