PORTA TRANCADA
Tranquei a porta pra mim e pra ela,
Não vejo mais ela nem ela me vê;
Encravou em meus olhos a imagem tão bela,
Daquela morena de olhos fume.
Tranquei a porta pois quero um tempo,
Pra mim e pra ela, enfim a nós dois;
Estou em meu quarto sem luz e sem vento,
Sentindo teus beijos e ouvindo tua voz.
Só quero sair quando for pra te amar,
Sem tempo e sem medo, sem pressa também;
Cansei de ficar esperando a sonhar,
Com abraços e beijos, laços que não vem.
Pois eu sei que tu és arisca e real,
Estas catalisada em minha célula e sangue;
Tu és uma droga gostosa e letal,
Que em mim lentamente se infiltra e se expande.
Por isso amor que estou de castigo,
Pra não ver teu sorriso que só me embriaga;
Teu corpo cortante é um doce perigo,
Tua língua molhada me naufraga e me afaga.
*J.L.BORGES
Camaquã.1985
Nenhum comentário:
Postar um comentário