SOZINHO
Este vulto que se some,
Este vulto que consome,
Minha pesada escuridão;
Sorrindo na rua escura,
Buscando minha ternura,
Pedindo meu coração.
Vulto frágil e delicado,
Que me deixa enamorado,
Implorando este amor;
Amor que tu me oferece,
Quando de novo aparece,
No outro lado da rua.
Mas não posso, tenho medo,
Razão forte e sem segredo,
Que me arrasa e causa dó;
Estão tu vais embora,
Minha alma triste chora,
Outra vez eu fico só.
*J.L.BORGES
P.Alegre.1978
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