NOSTALGIA
Uma melodia que atravessa o tempo,
Para me dar alegria;
Minha vida, que ironia!
Meu afago e lamento.
Lembranças que cortam a alma,
Esperança e nostalgia;
Calafrios, mil agonias,
Que me ofertam tédio e calma.
Amores que se perderam,
Colares e especiarias;
Silêncios, sons, gritarias,
Que como eu pereceram.
Amor solitário e dormente,
Que se formaram de um sonho;
Meu coração tão bisonho,
Perdido no eterno tempo.
Já não sou mais risonho,
Desta vida herdei tormento;
Dor de alguém antes risonho,
Flutuando no débil vento.
*J.L.BORGES
CAMAQUÃ.1980
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