segunda-feira, 23 de outubro de 2017

JANELA SOBRE A PRAÇA

JANELA SOBRE A PRAÇA

Encontrei você,
Tão triste e sozinha;
Querendo meu amor,
Implorando meus carinhos.

Eu passei,
Nem sequer meu olhar ergui;
Você chorou debruçada,
Naquela sombria janela.

Sem querer matei sua alegria,
Sufoquei, achei um pouco de graça;
E matei a ilusão que existia,
Naquela janela sobre a praça.

Não te encontro mais debruçada,
Sobre aquela sombria janela;
Olho e finjo indiferença,
Pois você foi embora.

*J.L.BORGES
PORTO ALEGRE.1981

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