segunda-feira, 2 de outubro de 2017

CHUVA DE PEDRA

CHUVA DE PEDRA

É chuva de pedra,
No meu coração;
Me fere, machuca,
Me dá solidão.

São águas pesadas,
Que um dia gelou;
É a certeza sentida,
Do amor que ficou.

Nasceu tão suave,
E assim foi fluindo;
Mas agora é só pedra,
Em meu peito ferindo.

Hoje aqui tão sozinho,
Pois o amor foi embora;
É chuva de pedra,
Que caiu nesta hora.

Chuva de pedra,
Pares de cair;
Não vês que meu peito,
Tu estas a ferir.

*J.L.BORGES
Camaquã.1977

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