quinta-feira, 26 de outubro de 2017

CACOS

CACOS

Uma mesa de bilhar, suja e empoeirada,
Uma bola já trincada e alguns tacos;
Um copo de vinho quase sem nada,
Um coração triste, virado só em cacos.

Uma carta de baralho rota e rasgada,
E lá num canto uma mesa com alguns dados;
Uma vidraça logo em frente, fosca e quebrada,
Uma magoa, um amor tosco e apagado.

Um cachimbo já queimado pelo tempo,
Uma mariposa encostada no balcão;
Fria chuva embalada pelo vento,
Num recanto, esquecido um coração.

Doces sonhos de amor que foram embora,
Só deixando uma roleta que viciada;
Vai matando a ansiedade que outrora,
Fazia alguém amar bem mais a sua amada.

Da minha historia de amor nada restou,
A não ser um belo e triste conto;
Vou tomar mais um pileque, pois estou,
Tentando pelo menos só um ponto.

*J.L.BORGES
Porto Alegre.1982


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