quarta-feira, 4 de abril de 2018

SUSSURROS DOS TEMPLOS

SUSSURROS DOS TEMPLOS

No silencio das madrugadas profanas,

Vultos milenares envoltos em lençóis;

Perambulam incansáveis por velhos corredores,

Serão almas penadas ou seres encarnados?

O sino estridente badala meia noite,

Enquanto a chuva saudosa ensaia pingos;

Em vitrais coloridos de sonhos,

E devaneios, perdidos em orações.

A madrugada leviana ensaia um hino,

De lamento ou regozijo ilusório que eu não sei;

Será a dor que evoca os inocentes,

Ou será a alegria? Eu pergunto, pois não sei.

Os versos e lamurias recitados entre as paredes,

São almas de um passado esparso por ai;

Mostrando as historias de deuses milenares,

Enquanto a chuva invade as catedrais.

*J.L.BORGES

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