quarta-feira, 4 de abril de 2018

ANOITECER

ANOITECER

A janela espia os amantes inocentes,

Enquanto o sol, coitado,

Confuso e abandonado,

Adormece no poente.

A lua, jovem lua, fogosa e insinuante,

Aguarda impaciente a noite;

Som sua misteriosas vestes,

Cravejadas de vaga-lumes e diamantes.

A tarde vai,

Deixando o sol a ressonar, sonhando...

Mas os amantes continuam na alcova,

Alheios ao anoitecer que está chegando.

A janela. Pobre janela sem ninguém,

Agora envolta em penumbras;

Reflete a luz artificial,

E a noite vem...

 *JORGE L. BORGES

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