MEU PAI
Onde estás que não te vejo?
Onde estás que não te percebo?
Na solidão das noites escuras,
É somente em sonhos que te recebo.
O tempo passa e tu não estás,
A meu lado, pois a vida me negou;
Onde tu se escondes meu senhor,
Será que teu amor por mim acabou?
Me lembro criança contigo a meu lado,
Clamava por ti e tu não negava;
Te tinha em oração e em minha imagem,
Imagem serena que em quadros avistava.
Agora meu pai já não te tenho aqui,
A vida nos afastou, perdi minha paz;
Queria ser criança nas crenças que tinha,
Aquela alegria que não lembro mais.
A onde estás bom pai? Me respondas
Queria que voltasses outra vez aqui;
Meu coração carente abriria sua porta,
Me vestiria de flores, que a tempos guardo a ti.
*J.L.BORGES,
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