MARÇO
Neste março de ilusões despercebidas,
O cinza do olhar vislumbra sonhos;
Minha viola geme um verso (distraída),
Uma canção para alegrar o céu tristonho.
Na solidão do dia pumbleo eu vejo um campo,
Relvas frágeis na teimosia de viver;
Longe da lida, longe do caos, longe do pranto,
Onde a canção do vento é bel prazer.
Um riacho esquálido murmura a ventania,
Em seu jeito singelo de exprimir;
Talvez até dizer, ao ouvido deste dia,
Que não vale a pena reclamar ou desistir.
É assim que vejo a chegada deste março,
Anunciando que o outono quer voltar;
Com suas folhas amareladas, papeis almaço,
Onde vale a pena refletir e até sonhar.
*J.L.BORGES
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