RETORNO A QUERENCIA
Galopo solito varando as estradas,
Sou rude, sou guapo nesta imensidão;
Levando meu baio e ele me leva,
Ranchinho já perto, conheço este chão.
O azul deste céu me lembra a chinoca,
Se lembro da prenda eu fico feliz;
No verde dos campos tantos quero-queros,
Na moita, escondida a arisca perdiz.
Lá vou eu faceirito, chegando a estância,
Foi longa a viagem, mas eu to voltando;
Não importa o tempo, nem mesmo a distancia,
To de volta a meu pago, volto galopando.
Eu sei que a chinoca me espera no rancho,
A água chiando, e o bom chimarrão;
Depois com os peões meus causos contados,
E a cuia morena trocando de mão.
*J.L.BORGES
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