sexta-feira, 2 de março de 2018

O CANTO DA SEREIA

O CANTO DA SEREIA

A esguia serpente, lisa e desconhecida,

Te chama igual o canto da sereia;

Tu, freneticamente e incompreensível,

Atende o louco chamado dela.

Não olhas para trás e nem pensa em nada,

Não se importa com elas, inocentes criaturas,

Só no ronco sonolento desta fera,

Teus olhos sonolentos se fecham hipnotizados.

Mais uma lata voa pela janela,

Cair a onde? Tu não sabes em quem;

O freio falha, a curva chama,

E outra vez o canto da sereia.

O baque surdo, ferros, tendões e nervos,

Misturam-se no asfalto e o sangue;

Desliza mortalmente e forma rios,

De lagrimas naqueles que ficaram...

*J.L.BORGES

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