O CANTO DA SEREIA
A esguia serpente, lisa e desconhecida,
Te chama igual o canto da sereia;
Tu, freneticamente e incompreensível,
Atende o louco chamado dela.
Não olhas para trás e nem pensa em nada,
Não se importa com elas, inocentes criaturas,
Só no ronco sonolento desta fera,
Teus olhos sonolentos se fecham hipnotizados.
Mais uma lata voa pela janela,
Cair a onde? Tu não sabes em quem;
O freio falha, a curva chama,
E outra vez o canto da sereia.
O baque surdo, ferros, tendões e nervos,
Misturam-se no asfalto e o sangue;
Desliza mortalmente e forma rios,
De lagrimas naqueles que ficaram...
*J.L.BORGES
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