sexta-feira, 23 de março de 2018

ÉBRIO

ÉBRIO

Depois do terceiro copo de cachaça,

Saio do bar quase caindo;

Vejo a rua deserta, acho graça,

Da alvorada voraz quase se abrindo.

Estou bebendo esta tristeza,

Que invade um coração pulsante;

Remo-o na mente esta certeza,

De que o amor fugiu a pouco instante.

Eu não sei se sou um pobre ébrio,

Ou um pobre homem que te quer;

Preciso afastar este vil tédio,

Que te faz lembrar, falsa mulher.

Vejo garrafas sobre a mesa,

Neste bar de tristes solitários;

Homens que alimentam esta tristeza,

Esta dor sem fim, longo rosário.

Depois de três copos de cachaça,

Saio do bar quase caindo;

Vejo reflexos nas vidraças,

Será que es tu?Já estou indo.

   *J.L.BORGES

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