ÉBRIO
Depois do terceiro copo de cachaça,
Saio do bar quase caindo;
Vejo a rua deserta, acho graça,
Da alvorada voraz quase se abrindo.
Estou bebendo esta tristeza,
Que invade um coração pulsante;
Remo-o na mente esta certeza,
De que o amor fugiu a pouco instante.
Eu não sei se sou um pobre ébrio,
Ou um pobre homem que te quer;
Preciso afastar este vil tédio,
Que te faz lembrar, falsa mulher.
Vejo garrafas sobre a mesa,
Neste bar de tristes solitários;
Homens que alimentam esta tristeza,
Esta dor sem fim, longo rosário.
Depois de três copos de cachaça,
Saio do bar quase caindo;
Vejo reflexos nas vidraças,
Será que es tu?Já estou indo.
*J.L.BORGES
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