A SOLIDÃO
A solidão é um vazio incandescente,
Sufoca a gente numa noite sem dormir;
É lua nova desflorando a madrugada,
Em tantas estradas onde o bom é insistir.
A solidão é um botequim onde me embriago,
A onde trago as fumaças de um cigarro;
É vento a beijar teu jovem corpo,
No desconforto da tristeza onde me agarro.
A solidão é um buraco no escuro,
Onde procuro luzes no amanhecer;
É a chuva a molhar os meus caminhos,
De tantos espinhos que me fazem entristecer.
E sendo assim a solidão é a canção,
Da solitária ilusão do sonhador;
É tanta dor a solidão que hoje aliso,
Um paraíso inconseqüente e sem amor.
*J.L.BORGES
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