sexta-feira, 23 de março de 2018

DE BAR EM BAR (A SOLIDÃO)

DE BAR EM BAR

(A SOLIDÃO)

Nas luzes das lâmpadas,

Morrem os sonhos;

Mariposas esvoaçantes,

Em vôos medonhos.

E os sons nas calçadas,

Será o vento que chegou sem alertar?

No alto vejo a nuvem desbotada,

Num sem fim a flutuar.

Este sono se perdeu envolto em escuras,

Loucuras que chegaram com a solidão;

Neste copo de cerveja a tênue espuma,

Mostra-me como é fria a ilusão.

Sinto risos neste bar desmiolado,

Porem sei que é mentira desta gente;

Homens sós, em conflitos e isolados,

Vulneráveis nesta toca de serpentes.

A noite acaba sem sentido,

E pra cá volto vazio e mais cansado;

Sem os comprimentos fáceis dos amigos,

Levando apenas um desejo sufocado.

     J.L.BORGES




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