A MORTE
A morte não bate a porta,
Ela entra sem avisar;
Sorrateira, traiçoeira e silenciosa,
Chega em nós, mas não conforta.
São tantos caminhos estranhos,
Tantas esquinas que mal conheço;
A morte eu sei, não tem preço,
É cruel, é doce, é estranha.
No silencio da saudade eternizada,
Onde as estradas não nos mostram os caminhos;
Ela chega e nos deixa assim sozinhos,
Contemplando o negro sol da alvorada.
Na tristeza eloqüente desta vida,
O eterno é morrer e não matar;
Na certeza que a paz é esquecida,
Quando a morte chega, ela vem para ficar.
Se te quero e tu me queres, não importa,
O que importa é somente eu te amar;
Te adorar como amo esta vida,
Esta vida que chegou pra não ficar.
Não me importa se a morte bate a porta,
Pois te sonho e te quero mais sonhar;
Sem temor da inocência que conforta,
Esta morte, negra aqui a me olhar.
*J.L.BORGES
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