terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

TESOURA

A TESOURA

Lamina cega,

A cortar idéias;

A castrar os sonhos,

De cada um.

São tantas procuras,

Que a própria loucura;

Nos leva apenas,

A lugar algum.

São laminas serenas,

Ferindo aos pouquinhos;

Os sonhos da gente,

Que nem vale a pena...

A alma serena,

Se perde em caminhos,

Iguais as melenas,

Da ovelha em tosquia.

O seu tac-tac,

Vai roendo os anseios;

Da gente impressa,

Em mata borrões.

São sonhos baldados,

Podados, drogados;

Levando a esperança,

Matando ilusões.

  *J.L.BORGES

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