A TESOURA
Lamina cega,
A cortar idéias;
A castrar os sonhos,
De cada um.
São tantas procuras,
Que a própria loucura;
Nos leva apenas,
A lugar algum.
São laminas serenas,
Ferindo aos pouquinhos;
Os sonhos da gente,
Que nem vale a pena...
A alma serena,
Se perde em caminhos,
Iguais as melenas,
Da ovelha em tosquia.
O seu tac-tac,
Vai roendo os anseios;
Da gente impressa,
Em mata borrões.
São sonhos baldados,
Podados, drogados;
Levando a esperança,
Matando ilusões.
*J.L.BORGES
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