OUTONO
O vento... A chuva... O tempo,
Portas lacradas,
Janela de abril ontem fechadas,
Uma melodia, uma toada;
A abrir o coração e a voz cansada,
Fazendo-me presente neste momento,
O vento... A chuva... O tempo,
São testemunhas,
Da jornada que a vida faz,
De quando em quando cá,
Levando a saudade, trazendo a paz,
Mas a mocidade deixando lá.
É assim que chega o outono novo,
Velho outono de nossas vidas,
Sempre atrevido, sempre cansado,
Entra em nós e fecha a porta,
Acende as luzes de nossa casa,
Pra de repente partir de novo.
*J.L.BORGES
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