quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

HOMEM SÓ

HOMEM SÓ

Na quietude noturna,

Deste apartamento,

Abro a janela,

E vejo aspirais;

São formas incertas,

Mudando em momentos,

De bruxas esguias,

A duendes fatais.

Na quietude noturna,

Deste momento,

O silencio retumba,

Sufocando a voz;

Do disco arranhado,

Em meu gramofone,

Que choraminga a historia,

De um tempo melhor.

Fumo um cigarro,

Mais um outro cigarro,

E o copo de vinho,

Tremula por mim;

Na quietude noturna,

No escuro me agarro,

Procuro-te em meu quarto,

Mas tu não estás.

*J.L.BORGES

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