HIENAS
A fome que ronda,
E bate em tua porta;
É a mesma que transforma,
Em bandido o amanhã.
Pedaços de madeira,
São transformados em armas;
Nesta lavoura doidivana e estéril,
Que o passado nos legou.
Somente sonhos podres,
Fecundam nesta lavoura;
A onde a vontade,
Jamais combate a fome.
É tanto desespero,
É tanto desemprego;
Que até as criancinhas
Já não sorriem mais.
O jovem aborrecido,
E o velho carrancudo;
Caminham lado a lado,
Com o mesmo anseio e sonho.
Eu sei que esta crise,
Esta hiena do passado;
Será hoje saudade,
E amanhã também.
*J.L.BORGES
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