quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

GENTE DA NOITE

GENTE DA NOITE

A luz das lâmpadas nascem os sonhos,

Na esquina quieta, uma mulher;

Na rua nua homens estranhos,

Bebendo luas num bar qualquer.

Outra cerveja naquela mesa,

Sob a tristeza à luz néon;

Na noite alva o azul batom,

Tanta alegria, pouca cerveja.


Por que o estranho a ti consome,

Mulher tão fácil, tão esquecida?

Vem a saudade que em ti se some,

E se eleva alem da vida.

São tantos bares, tantos lugares,

Na longitude desta avenida;

Homens discretos, porem vulgares,

Na umidade desta bebida.

*J.L.BORGES

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