DIA DO ÍNDIO
Homens barbudos em naves estranhas,
Chegam aqui com muitas promessas;
Sorrisos tamanhos e rugas nas testas,
Nos dão paraísos prenúncios de cruzes.
Em nossa inocência doamos afetos,
Ficamos amigo de um povo estranho;
Mas nada ganhamos, somente este sonho,
Que nada oferece no amargo concreto.
E assim continuamos por anos e anos,
Perdendo a inocência de nossos ancestrais;
Nem mesmo a paz nos é devolvida,
No amargo da lida, tristeza na voz.
São outros quinhentos, mas tudo é igual,
Um mundo irreal, sem nexo e sem preço;
É novo o começo no dia que urge,
Uma era que surge sem contemplação.
Deixará este dia somente para nós,
Um dia antes nosso, de nossos avós;
Agora é só um dia, um dia por anos,
Um mar de engano que deram para nós.
*J.L.BORGES
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