DE REPENTE
Num repente te vejo,
Despida de medo;
Trazendo um segredo,
No salgado beijo.
Igual gotas de mar,
Tu pousas em mim;
Como uma dança sem fim,
Feito loba a uivar.
Como a tarde que chora,
Tu choras no gozo;
Esta lenha, este fogo,
Esta chama de agora.
Tu em mim, eu senti,
Um choque, um tremor;
Este toque de amor,
Que de ti vem a mim.
Mas igual o presente,
Tu de mim vai embora;
Com a tarde que chora,
Vai, assim de repente.
*J.L.BORGES
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