CARCERES
O meu quarto é sombrio,
Minha cama é fria;
O meu dia é vazio,
E sem alegria.
São lentas as horas,
O dia não passa;
A dor me apavora,
Minha alma é uma traça.
O tempo é lento,
A paz é veloz;
A ânsia, o lamento,
Suspiros da voz.
Não existe saída,
Só portas fechadas;
Cicatrizes, feridas,
Na alma arrasada.
Mas talvez algum dia,
A paz que devora;
E que frágil se anuncia,
Encontraremos lá fora.
*J.L.BORGES
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