CABEÇA DE VENTO
Na terra do faz de conta,
Bocejo a boca da noite;
Noite lenta de alma tonta,
Beijos... Toques... Ternos açoites.
Anjinhos a pegarem fogo
Sonhos que a gente deseja;
Pirilampos em verdes campos,
A cantarem e ela boceja.
Duendes teimam em sonharem,
Com a levitude da lua;
Em seus mares navegarem,
No outro lado da rua.
Os segredos, as ilusões,
No faz de conta dos sonhos;
Faz lembrar bichos papões,
Sacis e duendes medonhos.
Faz lembrar os pés de vento,
Na virtual dança dos astros;
Louros sois da meia noite,
Estando em teus meigos braços.
*J.L.BORGES
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