VULTOS DA NOITE
Alguém bate na porta,
Será ou vento ou será a chuva,
Tentando me avisar,
Que o dia terminou?
A noite silenciosa,
Chegou sem avisar;
Que o dia preguiçoso,
Já estava indo embora.
A própria cucaburra,
Não quis me avisar,
Nem mesmo o vaga-lume,
Saiu na noite escura.
Mas o gato do mato anunciou,
Nas chapadas do sertão;
Que o véu cinza da chuva,
A lua escondeu.
O cão guará chorou,
Saudades, só saudades;
Da lua indecisa,
Sedenta e fogosa.
Alguém bate a porta,
Tentando me avisar;
Que a noite africana,
Não irá partir tão cedo.
*J.L.BORGES
1992
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