VENTOS DE INVERNO
Meus ventos de inverno batem a porta,
Trazendo fragmentos do passado;
Serão sussurros ou gritos? Não importa,
O que importa é este sol, amigo isolado.
Vozes do passado chegam em mim,
Trazendo amor, dor e recordação;
O desejo num beijo de carmim,
Em alguma boca manchada de batom.
Amores que o passado nunca apaga,
Angustias que não cede e não termina;
Hoje sou igual barco que naufraga,
Num passado sem presente, só rotina.
Os ventos de inverno são meu carma,
Congelando lentamente minha razão;
Fazendo-me mais e mais sentir a alma,
Do passado preso em meu coração.
*J.LBORGES
1994
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