sábado, 13 de janeiro de 2018

VAMPIRA

VAMPIRA

Entre o rio Guaíba e o rio da Prata,

Surgiu em minha vida uma vampira;

Parecia uma tigresa encantada,

A ronronar muito alem da Cachemira.


Atingiu-me igual um raio,

No meio do deserto de Atacama;

Revirou meu cérebro de desejos,

Transformou-me em escravo de sua cama.

Acendeu e apagou minha chama,

Saciou sua sede incontrolável;

Igual Walquiria, Fredegunda ou Godiva,

Toda nua em seu cavalo indomável.

Flutuei feito cavaleiro alado,

Entre as planices do Gobi e da Manchúria;

Me perdi, pratiquei haraquiri,

Na volúpia da incerteza e da luxuria.

No repente que chegou ela partiu,

Levando a certeza do futuro;

A tristeza deixou em seu lugar,

A saudade e também o denso escuro.

Hoje ando com saudades da vampira,

Muito triste, sozinho e enfeitiçado;

Voltes vampira, eu te preciso,

Eu te quero, pois estou apaixonado.

*J.L.BORGES...1992

Nenhum comentário:

Postar um comentário