VAMPIRA
Entre o rio Guaíba e o rio da Prata,
Surgiu em minha vida uma vampira;
Parecia uma tigresa encantada,
A ronronar muito alem da Cachemira.
Atingiu-me igual um raio,
No meio do deserto de Atacama;
Revirou meu cérebro de desejos,
Transformou-me em escravo de sua cama.
Acendeu e apagou minha chama,
Saciou sua sede incontrolável;
Igual Walquiria, Fredegunda ou Godiva,
Toda nua em seu cavalo indomável.
Flutuei feito cavaleiro alado,
Entre as planices do Gobi e da Manchúria;
Me perdi, pratiquei haraquiri,
Na volúpia da incerteza e da luxuria.
No repente que chegou ela partiu,
Levando a certeza do futuro;
A tristeza deixou em seu lugar,
A saudade e também o denso escuro.
Hoje ando com saudades da vampira,
Muito triste, sozinho e enfeitiçado;
Voltes vampira, eu te preciso,
Eu te quero, pois estou apaixonado.
*J.L.BORGES...1992
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