SONHO DA AMAZÔNIA
Fecho os olhos e minha visão,
Vê um cacique encantado;
Montado em raios de fogo,
Presentes da tempestade.
Fecho os olhos, vejo as matas,
O rio que a beija de leve;
Verdes pássaros a levitar,
Alem de prados e montes.
Vejo a criança inocente,
Sem camisa e pés descalços;
Tentando a estrela Dalva,
Pegar em noites de festas.
Vejo Yara desfolhando,
Pétalas de vitória-régia
No cristal do Solimões,
O bale do boto rosa.
O impávido tucano
Com suas vestes multicores;
No palco das copas verdes,
O macaco a fazer graça.
Sorrateira vejo a onça,
Jacaré papo amarelo;
A canoa a rasgar rios,
O sangue das seringueiras.
Tudo é lindo nesta hora,
Onde sonhar é possível;
Sem temer a realidade,
Vou abrir meus olhos agora.
*J.L.BORGES
1992
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