quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

SÁBADO DE CHUVA

SÁBADO DE CHUVA

Pingos dagua beijando este chão,

Molhando as árvores a beira da rua;

Eu ouço a canção que a chuva provoca,

Molhando calçadas desta vida nua.

Não vejo o sol, só nuvens escuras,

Fazendo a loucura sorrir para mim;

O cão que provoca e late sem a lua,

É ser comovente fugindo do fim.

São tantos contrastes com a chuva que cai,

Que o dia lampeiro não quer prosseguir;

Consigo sorrir um pouco com ela,

Aqui da janela donde a tarde se vai.

Espero paciente a chuva partir,

Pra tarde faceira ficar a meu lado;

São tardes de sábado beirando minha vida,

Beijando meu outono tão jovem a insistir.

Se vejo crianças cabelos molhados,

Um rasgo de sonhos pinto no papel;

Dedico pra chuva sementes de vida,

E criança outra vez, retorno ao passado.

*J.L.BORGES
1994

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