SÁBADO DE CHUVA
Pingos dagua beijando este chão,
Molhando as árvores a beira da rua;
Eu ouço a canção que a chuva provoca,
Molhando calçadas desta vida nua.
Não vejo o sol, só nuvens escuras,
Fazendo a loucura sorrir para mim;
O cão que provoca e late sem a lua,
É ser comovente fugindo do fim.
São tantos contrastes com a chuva que cai,
Que o dia lampeiro não quer prosseguir;
Consigo sorrir um pouco com ela,
Aqui da janela donde a tarde se vai.
Espero paciente a chuva partir,
Pra tarde faceira ficar a meu lado;
São tardes de sábado beirando minha vida,
Beijando meu outono tão jovem a insistir.
Se vejo crianças cabelos molhados,
Um rasgo de sonhos pinto no papel;
Dedico pra chuva sementes de vida,
E criança outra vez, retorno ao passado.
*J.L.BORGES
1994
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