RODA DAGUA
Tantos sorrisos gastos por nada,
Num realizar de obras cariadas;
Se pra amar preciso sorrir também,
Num paraíso que nunca sobrevém.
Sem muita pressa sigo sozinho,
Com mil promessas e sem carinhos,
Nesta ventura que a vida segue,
Numa censura que me persegue,
E o mundo gira tão devagar,
Tocando liras em teu olhar.
*J.L.BORGES
1994
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