quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

RODA DÁGUA

RODA DAGUA

Tantos sorrisos gastos por nada,

Num realizar de obras cariadas;

Se pra amar preciso sorrir também,

Num paraíso que nunca sobrevém.

Sem muita pressa sigo sozinho,

Com mil promessas e sem carinhos,

Nesta ventura que a vida segue,

Numa censura que me persegue,

E o mundo gira tão devagar,

Tocando liras em teu olhar.

 *J.L.BORGES
1994

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