PALHAÇO
Triste vulto a fazer palhaçadas,
A sorrir feito louco,
Nesta nave tresloucada, o circo,
Na corda bamba da vida, a mulher;
Será trapezista ou uma sereia?
E o dono do circo uma hiena,
Em sua gaiola de ouro,
A ganir para o mundo,
Este mundo nefasto e sereno,
Onde o vulto moreno,
E pintado é o palhaço.
Tantas palmas a vida lhe bate,
São aplausos de sonhos,
Vídeo tapes de glorias,
E a historia repete num momento,
Seus gracejos ao vento,
Num amor sem memória.
J.L.BORGES
1993
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