OLHAR DE LAMA
Olhar de lama num mundo escuro,
Onde o sol nunca penetra;
E onde a lua não faz a festa,
Das madrugadas no coração.
Olhar de lama alem dos montes,
Alem do mar, alem das nuvens;
Onde a certeza de estar aqui,
Não corresponde a realidade.
Olhar de lama sem dor e medo,
Onde o segredo só chega em sonhos;
E onde o riso não faz seu gozo,
E nem o fogo queima o sossego.
Olhar de lama no fim do poço,
A onde a fonte não secará;
Restaram cinzas, restaram sombras,
De uma vida que aqui passou.
*J.L.BORGES
1994
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