NOSSOS ERROS
Nós somos gente sofrida,
Gente explorada, esquecida;
Sem futuro, sem sorriso,
E também sem madrugada.
Sofremos por nossos erros,
Que o passado nos legou;
Os erros de um cotidiano,
Que o tempo não apagou.
Chega ano e vai ano,
E os dias sempre iguais;
São tantas cotas de enganos,
Num sem fim de erros fatais.
A soma de nossos erros,
Nos levam a grandes desgraças;
Presente sem ter sossego,
Risos frágeis e sem graça
Este futuro é incerto,
É tão incerta esta estrada;
De caminhos insensatos,
Que não nos levam a nada.
*J.L.BORGES
1993
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