sábado, 20 de janeiro de 2018

NATALI

NATALI

Flor azul perfumando a beira do rio,

Amante encantada que um dia partiu;

Só deixando saudade e meus dias vazios,

A tristeza estampada num olhar quase frio.

Minha vida encontra-se a beira do rio,

Eu te vejo, te quero mas jamais te consigo;

Se não posso te amar e também ser amigo,

Focarei sempre aqui, muito longe de ti.

Tanto tempo longe, Natali adorada,

Mas jamais te alcanço, nem me canso sonhando;

Sou pedinte estranho e bem longe da entrada,

Dos caminhos distantes onde sou homem errante.

És de todos amores, um amor não completo,

Onde o coito impreciso nunca foi definido;

Onde longe de ti eu me sinto deserto,

Mas não dá mais Natali, sou um homem distante.

E distante de ti seguirei minha vida,

Este amor impossível se perdeu no passado;

Se me amas não sei, mas te amo demais,

Que perdi minha paz, e hoje vivo sonhando.

 *J.L.BORGES...1994

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