O MAMÃO E A PAPAIA
Eu te amo como amo a tempestade,
Teus carinhos são rompantes de magia;
Os teus beijos tem o gosto de ambrosia,
E a paixão então... uma dor que em mim invade.
Teu sorriso é o anuncio da manhã,
Teu olhar é lanterna que ilumina;
Sabes amor? Se não tenho tua maçã,
Sinto-me castrado deste fogo minha menina.
Sou sozinho se não tenho tua presença,
Meu inferno é a solidão de algum lugar;
Onde o amor não adquiri experiência,
Onde nunca dá vontade de chegar
Sou criança quando ganho a sobremesa,
Oriunda deste corpo farto e complexo;
Minha papaia adorada! Minha princesa,
Serei sempre o teu mamão, o teu convexo.
*J.L.BORGES
1994
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