segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

LUAR DOS MALDITOS

LUAR DOS MALDITOS

Ela surge mansamente no espaço,

Ela ruge mansamente em meus braços;

Ela surge, eu não sei mais o que faço,

Ela ruge na ventura de seus passos.

Cascaveis rastejando no caminho,

São serpentes habitando meu espaço;

Multidões a rugir e eu sozinho,

Me afastando mais e mais dos meus abraços.

Eu sou louco pois acreditei nela,

Vou morrer neste falso juramento;

Fecho a porta, esta luz, tua janela,

Ouço vozes, estes passos, meu tormento.

Toda a luz que eu tinha foi embora,

Em seu lugar veio uma luz a denegrir;

Por quem choras meu amor, por quem choras?

Se a saudade só agora ira sentir.

Luz maldita, luz serpente a incendiar,

Este mundo, este mundo antes meu;

Sou imundo se acredito no jurar,

Que jurastes, ser descrente, ser ateu.

 *J.L.BORGES...1990

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