sábado, 13 de janeiro de 2018

LANCELOTE

LANCELOTTE

Amada minha senhora,

Eterno amor escondido;

Espinho ardendo na carne,

Deste meu amor antigo.

Sou teu cavalheiro errante,

Andante em tempo amor;

Sou farol na tempestade,

Anunciando um dia pior.

Pois você minha senhora,

Não quer meu amor cativo;

Você senhora é o espinho,

Carinhos do meu amigo.

Não quero ser teu escravo,

Queria ser seu senhor;

Você é a minha amada,

Senhora do meu senhor.

Queria ser seu cavaleiro,

Andante, jamais errante;

Sorver seu corpo faceiro,

Senhora dos meus instantes.

Na ventura destes instantes,

Ser seu amor verdadeiro;

Esposo, jamais amante.

*J.L.BORGES..1990



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