LANCELOTTE
Amada minha senhora,
Eterno amor escondido;
Espinho ardendo na carne,
Deste meu amor antigo.
Sou teu cavalheiro errante,
Andante em tempo amor;
Sou farol na tempestade,
Anunciando um dia pior.
Pois você minha senhora,
Não quer meu amor cativo;
Você senhora é o espinho,
Carinhos do meu amigo.
Não quero ser teu escravo,
Queria ser seu senhor;
Você é a minha amada,
Senhora do meu senhor.
Queria ser seu cavaleiro,
Andante, jamais errante;
Sorver seu corpo faceiro,
Senhora dos meus instantes.
Na ventura destes instantes,
Ser seu amor verdadeiro;
Esposo, jamais amante.
*J.L.BORGES..1990
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