LÁGRIMAS DA SOLIDÃO
Quem me dera que eu fosse
Neste mar de ansiedade;
Apenas um peixe,
A procura de um rio,
Pra poder desovar.
Não um rio encantado,
De luzes artificiais,
Que levasse-me a nada;
Mas talvez uma entrada,
A um tal paraíso.
Porem sei, sou humano,
Eu não sou um peixe,
Meu banheiro não é rio,
É o chuveiro que chora,
Faz-me ser solidão.
*J.L.BORGES
1994
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