segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

INFINITO

INFINITO

Por entre entradas e ares,

Por entre fontes e bosques;

Sob luares e neves,

Por entre ventos e nuvens,

Vejo um sol que brilha leve.

Depois de docas e mares,

Pomares de tantas glorias,

Historias de um deus cadente;

Vejo na face olhares,

Memórias de um deus poente.

Depois do futuro incerto,

Perto dos deuses enfim;

Vejo correndo a criança,

Vejo um sol de esperança,

Brilhando perto de mim.

                                                              
  *J.L.BORGES
1994

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