GRAVATAÍ, JANEIRO DE 1990.
FLOR DO CAMPO
Eu sou lady godiva,
Passeando nua;
Em seu cavalo branco;
Eu sou sereia,
Sob a luz da lua cheia,
Eu sou bacilo a perambular no sangue,
Eu sou o cranco.
Eu sou ventos da Sibéria,
Soprando sobre Moscou,
Eu sou o Yanomami,
Nas matas da Amazônia;
Saci pererê eu sou.
Do próton eu sou o nêutron,
Do lado esquerdo o direito,
Do côncavo eu sou convexo,
Do errado sou perfeito,
Do desejo eu sou o sexo.
Da guerra eu sou o basta,
Chega de fome e de dor;
Eu sou apenas sorriso,
Na face de alguma flor.
Do moribundo e do enfermo,
Sou cataplasma que cura,
Sou na infinita procura,
Tão cansada de governo,
Quero ser no paraíso,
Apenas semente do campo,
O invólucro de uma flor.
*J.L.BORGES...1990
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