COLHEITA
Os teus seios de âmbar, oh! Deusa amada,
Me acolhem como acolhem a um menino;
Em desatino a sorver nas madrugadas,
A fragrância imaculada do destino.
Doce amor quero estar sempre a teu lado,
Como uma planta a espera do verão;
Se poeta sou, sou por estar apaixonado,
Minha doce musa, minha mulher, minha canção.
Nestes ventos de outono esperarei,
Lentamente que chegue a calmaria;
Destes lábios de mel que mais sonhei,
Em beijar e sorver todos os dias.
Na colheita deste amor a recompensa,
Eu terei por te amar todas as horas;
Meu presente será sempre tua presença,
A meu lado todos os dias minha senhora.
*J.L.BORGES
1994
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