CHUVAS DE NOVEMBRO
Não existe tristeza no mundo que amo,
Não existe miséria nem mesmo saudade;
A maldade do mundo a tempos partiu,
Levando o inverno e trazendo a verdade.
Nas águas que caem eu vejo uma fera,
Lembranças que trazem um sonho criança;
São chuvas, são bênçãos da mãe natureza,
Levando a incerteza e trazendo a esperança.
Não existe saudade no mundo onde ando,
Só existe o futuro que lento nos joga;
Na vaga incessante da vida que arde,
Que densa naufraga mas nunca se afoga.
São chuvas que caem nesta primavera,
Com raios e trovões rasgando os céus,
Se é negra a certeza é cinza o chapéu,
Que encobre e protege a mãe pátria terra.
Sou louco e sozinho, eu sou o escuro,
Na busca da luz, nefasta e ardente;
Eu sou no passado o sonho presente,
Na busca incansável de um novo futuro.
*J.L.BORGES
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