quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

CHUVAS DE NOVEMBRO

CHUVAS DE NOVEMBRO

Não existe tristeza no mundo que amo,

Não existe miséria nem mesmo saudade;

A maldade do mundo a tempos partiu,

Levando o inverno e trazendo a verdade.

Nas águas que caem eu vejo uma fera,

Lembranças que trazem um sonho criança;

São chuvas, são bênçãos da mãe natureza,

Levando a incerteza e trazendo a esperança.

Não existe saudade no mundo onde ando,

Só existe o futuro que lento nos joga;

Na vaga incessante da vida que arde,

Que densa naufraga mas nunca se afoga.

São chuvas que caem nesta primavera,

Com raios e trovões rasgando os céus,

Se é negra a certeza é cinza o chapéu,

Que encobre e protege a mãe pátria terra.

Sou louco e sozinho, eu sou o escuro,

Na busca da luz, nefasta e ardente;

Eu sou no passado o sonho presente,

Na busca incansável de um novo futuro.

 *J.L.BORGES

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